VocĂȘ sabe a diferença entre Ecoturismo e Turismo de Natureza?
- Rafael Meneses
- 19 de mai. de 2021
- 3 min de leitura
Atualizado: 30 de jun. de 2021
As atividades recreativas, esportivas e de experiĂȘncia que tem a natureza como principal atrativo devem despertar uma reflexĂŁo sobre a conservação e a preservação do ambiente e sua biodiversidade ali encontrados. Mas nem sempre essa conscientização acontece, e os usuĂĄrios (aventureiros ou turistas) acabam extrapolando os limites sustentĂĄveis de suas atividades, gerando impactos que deveriam ser minimizados.

A falta de entendimento sobre o conceito do Turismo de Natureza e o Ecoturismo por parte dos promotores desses segmentos (agĂȘncias de turismo e grupos de aventura/expediçÔes/passeios) pode influenciar negativamente o uso sensato e equilibrado dos recursos naturais. Mas por que saber distingui-los faz tanta diferença?
Pra começar, Ă© bom destacar que ambos os segmentos fazem parte do Turismo NA NATUREZA, mas um deles possui uma filosofia e princĂpios de preservação e conservação. Isso significa que vocĂȘ pode estar exercendo uma atividade recreativa ou esportiva de forma irresponsĂĄvel ou, no mĂnimo, mal orientada; e, pra piorar, "comprando gato por lebre". Como assim? Deixa eu te explicar. Como o Ecoturismo se tornou um termo de grife, altamente vendĂĄvel e "ambientalmente correto", a maioria dos serviços desse segmento costuma ser mais caro, embora mais atrativo. AĂ eu te pergunto: vocĂȘ jĂĄ contratou um serviço de ecoturismo ou turismo de experiĂȘncia com slogan [eco] e sequer recebeu quaisquer orientaçÔes senĂŁo um "enjoy"? Eu jĂĄ. E Ă© aĂ que inicia o problema.
"...se em qualquer turismo NA NATUREZA vocĂȘ nĂŁo for induzido a refletir sobre conservação e preservação, ou conscientização socioambiental, vocĂȘ estarĂĄ praticando o turismo DE NATUREZA..."
Estudiosos do tema afirmam que o termo "ecoturismo" Ă© utilizado indiscriminadamente, pois nem todas as atividades realizadas in natura podem receber essa denominação. EntĂŁo, se em qualquer turismo NA NATUREZA vocĂȘ nĂŁo for induzido a refletir sobre conservação e preservação, ou conscientização socioambiental, vocĂȘ estarĂĄ praticando o turismo DE NATUREZA, que tem como mote a [paisagem como atrativo] e interesses de mercado. Mas isso nĂŁo quer dizer que eu ou vocĂȘ estejamos errados por optar por esse tipo de experiĂȘncia. Afinal, ela supervaloriza o contato e a inter-relação com a natureza, atravĂ©s da beleza cĂȘnica de ambientes naturais conservados ou correlacionados. Contudo, preciso destacar o ponto principal da problemĂĄtica: o Turismo de Natureza causa impacto ambiental e social durante sua prĂĄtica, por isso pode comprometer, ao longo do tempo, a qualidade do produto turĂstico oferecido.
EntĂŁo, seja vocĂȘ um aventureiro ou praticante de esportes na natureza, ou um observador de fauna e flora, ou turista que foi capturado pelas belezas naturais, seja pra descanso, contemplação ou lazer, te convido a refletir sobre o que foi escrito no primeiro parĂĄgrafo desse texto. Acredito que independente da experiĂȘncia que se tenha em ambientes naturais, princĂpios de conservação e preservação devem estar atrelados a prĂĄtica escolhida, especialmente porque toda intervenção nesses ambientes gera impacto em algum grau.


O Brasil faz parte do topo de destinos do turismo ecolĂłgico no mundo. Suas paisagens indescritĂveis representadas por formaçÔes rochosas, montanhas, cavernas, rios, cachoeiras, praias, e rica biodiversidade, atraem, por ano, cerca de 1 milhĂŁo de viajantes no pais, gerando uma receita estimada de US$ 70 milhĂ”es anuais. E, dos 35 hotspots de biodiversidade espalhados no planeta, dois estĂŁo concentrados aqui (Cerrado e Mata AtlĂąntica), conforme classificação feita pela organização Conservation International (C.I). Em outras palavras, temos muitos atrativos e devemos usar o turismo responsĂĄvel e sustentĂĄvel para transformar meros visitantes em agentes de conservação atravĂ©s da educação ambiental. Afinal, quem conhece cuida!

Portanto, seja qual for a atividade nesses segmentos (observação de fauna; observação de flora; observação de formaçÔes geológicas e as visitas a cavernas; observação astronÎmica; mergulho livre; caminhadas e arvorismo; trilhas e safåris fotogråficos; ciclismo, canoagem ou rafting), é fundamental avaliar se o agente contratado prima pelo turismo responsåvel, orientando a pråtica sustentåvel dentro dos limites que cabem cada atividade. Caso contrårio, estaremos contribuindo negativamente para o pouco de natureza que nos resta, sem falar de transtornos gerados a comunidades nativas.
E assim finalizo por aqui te indicando o link do Manual de Boas PrĂĄticas SanitĂĄrias no Turismo de Natureza da Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura - ABETA. ApĂłs a realização de um cadastro simples, rĂĄpido e gratuito, vocĂȘ terĂĄ acesso a uma lista de manuais de boas prĂĄticas em diversas experiĂȘncias na natureza, com conteĂșdo bastante completo e muito bem elaborado! Enjoy!
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